terça-feira, 26 de outubro de 2010

# 241

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|| lá do baú



traduções do rei.

"eles vao ver a gente voando numa altura filha da puta
"desce daí", eles vao dizer
mas tudo parece tao perfeito lá de cima
"desce daí", mas a gente vai continuar

"Eu acho que é um sinal"

essas pintinhas no seu olho sao imagens de espelho, e quando a gente se beija, 
elas parecem perfeitamente alinhadas
Eu tenho que supor que foi Deus mesmo quem fez a gente de barro, 
com esse encaixe de peça de quebra-cabeças

A verdade é queisso pode parecer doido, 
mas são coisas assim que pipocam nessa minha cabeça bagunçada 
quando eu acho que vou morrer de saudade
quando voce tá na estrada, muitas semanas de shows, 
e vc procurar no radio espero que essa musquinha te guie

Eles vão ver a gente voando numa altura feladaputa, 
"desce daí", eles vao dizer. Mas tudo parece perfeito quando a gente vê de longe. 
"desce daí". mas a gente não desce...


|| The postal service - such great heights
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

# 240

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Eu não estou em lugares comuns.

E isso é certo, assim como o vento não tem cor, mas pode colorir o mundo com as folhas que carrega.

Talvez no bater de asas de uma abelha eu possa estar escondido, tentando fugir de carona naquelas costas amarelas e pretas.
Mas não consigo ir muito longe.

Assim como estátuas de areia, me paraliso em beira-mar logo me desfaço com a força das ondas.
Isso tudo pra logo vir uma criança e me dar a forma que quer que eu tenha de novo.

Eu não estou em lugares comuns.

Posso estar no pó que cai da estrela azul, recém nascida no universo e pronta pra brilhar.Caio em Terra e ninguém percebe, só procuram a luz.

Definitivamente, eu não estou em lugares comuns.

Me procure embaixo da folha mais seca do outono, de onde posso flutuar no ar em sua queda, mesmo por alguns instantes, mas sentindo a sensação mais perfeita que poderia ter.

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simple things - belle and sebastian

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

# 239

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- agora me conte, o que você tá sentindo.
- eu, eu.. eu tou sentindo... aliás, eu não tou sentindo. tou sentindo nada.
- você sabe que eu te pergunto é de amor né?
- sei sim, mas o amor que eu tenho aqui, agora, é só meu. não tem novo, não tem antigo, não tem nenhum alheio que me move. quem que eu tou amando agora sou eu. e ao mesmo tempo, é a mim que eu odeio também.
- mas... mas como é isso? logo você, que sempre está dando o seu amor por aí...
- não sei explicar. acho que aprendi a descansar isso em mim. não tou amando, de amor romântico, a ninguém por agora. não sei como acordarei amanhã, mas nos últimos tempos, meu amor sou eu. e só eu. e tou vendo o tanto que esse amor é de verdade, porque o que tem de defeito que eu tenho enxergado não se conta. e amar é isso não é? de achar qualidade e defeito, e ainda assim os defeitos serem lindos.
- prossiga.
- não sei colocar isso em palavras, mas é mais ou menos assim: não tou de porta fechada, não tou fechado pra balanço, mas não tou remexido. tou em suspensão, e se chegar alguém que consiga me tirar desse estado, eu posso vir a me apaixonar, e viver toda aquela história nova. mas se não vier, não tem problema, eu vou seguir me amando. algo por aí.
- e você não se sente vazio? não sente falta? não tá carente?
- sinto sim, sinto falta, carência, saudade... mas não sinto também, o que é estranho. eu sinto é vida, sabe, eu sinto que nenhuma dessas coisas é capaz de me impulsionar... nem saudade, nem carência, nem falta e nem vazio. eu tou bem. bem sim. 
- você se diria autossuficiente?
- jamais. mas não tou dependente do amor dos outros, de uma noite de sexo, de uma compaixão qualquer... eu tou tranquilo do jeito que tou.
- interessante. bem, nossa sessão termina por aqui. boa noite.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

# 238

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e na quarta feira reassisti dois dos meus filmes preferidos na vida.
e foi aquela explosão de coisas aqui dentro que sempre me impressiona.
aliás, é engraçado como músicas, filmes, séries, textos, enfim, é impressionante como essas coisas causam esse efeito extasiante em mim.
 
nesse caso, vendo "antes do amanhecer" e "antes do pôr do sol" eu tive um misto de vontades. daquelas de fugir, de me esconder, de gritar, de rir.. ah, um monte de sensações, principalmente por conta de que eu me identifico com várias passagens.
 
a intensidade dos dois personagens, cada um a seu modo, é muito parecida com a minha, com o modo com o qual eu encaro tudo o que eu faço e vivo.
e acho.
uma delas é essa fala de Jesse:
 
"You know what's the worst thing about somebody breaking up with you? It's when you remember how little you thought about the people you broke up with and you realize that is how little they're thinking of you. You know, you'd like to think you're both in all this pain but they're just like "Hey, I'm glad you're gone"."
 
e outra é uma da Celine, quando ela diz que não consegue se desfazer de ninguém que passou por sua vida, porque é alguém que gosta de pequenas coisas, e todo mundo é cheio de detalhes próprios, de sutilezas únicas.
 
 enfim, é engraçado notar que quando se explode essa sensação no peito, essa de sentir algo que a gente até se esquece que existe, essa de sentir, a gente percebe que anos vêm, anos vão, e a gente continua assim, sentindo. e nem é sentindo algo específico, é só sentindo mesmo, no sentido de ser humano.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

# 237

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e mais uma vez ele encaixotou suas coisas, dividiu suas roupas entre malas e sacolas, e carregou tudo pro caminhão de mudanças.
e lá ia pra um novo endereço.
mas pra ele, dessa vez, não era uma simples mudança de endereço. a sua mudança era quase total.
estava mudando de hábitos, de trabalho, de focos na vida, de jeito, e até mesmo mudando alguns amigos.
parecia que havia passado um furacão na sua vida, e carregado uma parte bem grande de tudo aquilo que ele havia construído até então, o que não mexeu só com seus pertences, mas com alguma coisa dentro dele mesmo.
quem o vê hoje diz que ele parece mais calmo, mais sereno, e ele mesmo reconhece isso nele.
já não é mais aquele turbilhão de gente, que tem que fazer duzentas e vinte e três coisas ao mesmo tempo. ele está mais focado, mas determinado, e até mais sincero consigo e com os outros.
quando pisou na casa nova já percebeu que ali as coisas iam ser bem diferentes. seu quarto era imenso, pelo menos o maior em que já viveu, e que não podia deixar suas coisas jogadas.
foi ao mercado, comprou um pé de pimenteira e outro de arruda, os alojou na sala da casa, lembrando que sua avó havia lhe dito que era pra espantar "mau olhado", não era dos mais crentes nessas coisas, mas não custava nada.
descarregou as caixas, colocou sua cama no canto da janela, e nela deitou-se, olhando pra tudo aquilo ao redor, que ainda era uma grande bagunça, mas sabia que estava em casa.
e assim, de pouco em pouco vai se arrumando, de ajeitando, reconstruindo cada pedaço levado pelo furacão.
e o melhor, sabe que toda mudança é pro bem, afinal, nunca se ouviu dizer de borboleta virando lagarta.
é evolução.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

# 236

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... e assim, depois de tudo o que aconteceu, ele olha pro mar e fala: 

- Pra quê tanto sal nas suas águas? Isso faz com que meus olhos fiquem ardendo e que eu precise urgentemente de uma ducha quando chego em casa. 
- Não sei, responde uma voz que não dá pra saber de onde vem. 

E assim ele volta a caminhar só pela praia se divertindo com as pegadas que seus próprios pés deixavam na areia semimolhada por aquela onda que acabou de voltar pra casa. E ele pensa: Ondas! 

Daí corre em direção à espuma que ainda resta na beira do mar e mergulha como se golfinho fosse e se admira com a visão de seus próprios pés na areia... 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

# 235

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"save the last dance for me"


e é bem assim. eles já se conheceram, o mundo já girou. a eles permaneceram junto nesse tempo todo, juntos, embora sempre cada um do seu canto.


mais se desencontraram que encontraram, mas mantiveram contato quase que diário por todo o tempo, exceto por uma pequena pausa de sumida de um deles a uns anos atrás. mas foi tão pequeno o tempo, que eles nem contam.


e se amam sim, de formas diferentes, talvez, mas o fato é que um se tornou essencial ao outro. e ambos crescem nesse tempo.


não são um casal, aliás, são algo um pouco melhor que isso: são íntimos.


um dia, numa das brincadeiras do destino, podem vir a se tornar um desses casais que vão ao cinema juntos e ficam de mãos dadas vendo o filme, saem pra um café como dois apaixonados, e dividem a mesma cama ao fim da noite.


por hora, são dois que se amam, e como se amam, mas não da forma convencional.
a verdade é que, toda vez um deles vê o outro, canta esperançoso e baixinho: "so darling... save the last dance for me", na versão no Bublé.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

# 234

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das cartas não mandadas.
03 de setembro de 2009.



eu fico cá pensando e caí por mim: nunca te escrevi uma carta de verdade.
não, não contam os bilhetes trocados no trem, escritos em papel azul, na volta daquela viagem de Ipatinga.


eu falo de cartas, daquelas que começam com "Belo Horizonte, dia tal do mês tal do ano tal".
e acho que já é um pouco tarde pra escrever alguma né.. depois de tanto tempo, de tantos acontecimentos.
na carta eu falaria do clima do dia. da temperatura, que reflete também o estado emocional. se fosse agora, eu diria que meu céu está se abrindo depois de uma longa temporada de nuvens carregadas.

bom, o importante é que é impressionante. não sei se sou eu que tenho uma propensão de viver numa eterna roda gigante, que gira gira gira e acaba voltando no mesmo lugar, mas eu tenho sempre a sensação que não me desliguei de verdade de você. por mais que eu quisesse ter acreditado nisso.

hoje tudo é mais claro, eu ando mais sereno, e com isso, os pensamentos me levam a analisar as histórias antigas sob uma outra ótica, que eu não me permitia enxergar antes.
hoje eu vejo que nosso fim foi num momento de turbulência, de precipitação, de orgulho ferido, diria.. eu não entendia tão bem as coisas como hoje. era quase egoísta.
e isso já não importa hoje.. depois desse tempo que passou. muita coisa aconteceu, muitas pessoas apareceram, desapareceram, se misturaram, enfim.. a vida seguiu seu curso. 

e se eu fosse te escrever uma carta hoje, contando os acontecimentos que se passaram desde aquele tempo até agora, precisaria de umas 20 folhas de papel, pelo menos, pra chegar num final com algo do tipo "mas que você ainda mexe  comigo" ou até mesmo "pra passar isso tudo e dar por mim que amor não morre".


o negócio é que hoje eu estou bem mais tranquilo, mas no geral, tem dias em que é proibido ouvir "Ainda Bem" da Vanessa da Mata, porque eu fico pensando que sei sim "como seria essa vida"... e nisso o olho ia encher de água. 

e pensar que eu nunca te escrevi uma carta.. hoje seria desnecessáro. talvez você nem lesse.. talvez rasgasse assim que recebesse. talvez a guardasse.


e também, eu não saberia como dizer as coisas sem soar temperamental demais. 


é.. meu orgulho está de férias, permanentes, talvez, pelo menos assim espero, e isso é tão bom porque me permite admitir certas verdades.


e o tempo não fez passar. o tempo foi só perdido.
e é tudo saudade. 
e hoje, 03 de setembro de 2009, já seriam 05 anos.
fica na gaveta, Vanessa da Mata, hoje não é seu dia.

atenciosamente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

# 233

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e nos últimos tempos a busca tomou conta aqui.
a busca por uma casa nova, pra ser mais específico.
todo dia, milhões de acessos a sites de imobiliárias, visitas a apartamentos, arrumação de documentos, e o começo do encaixotamento das minhas coisas.

meu deus! eu me esqueço que eu tenho tanta coisa. e não digo isso como forma de me vangloriar do tipo "oh como ele tem tanta coisa", mas sim do tipo "putz grila! é muita tralha!".
é, porque eu tenho certa dificuldade em me desvincular das coisas, em desligar, em jogar coisa fora. em todos os sentidos.
eu tenho esse problema de desapego.
eu acho que deveria ser mais fácil desapegar das coisas. de poder jogar o que já não serve no lixo, de poder deixar pra trás, de verdade, acontecimentos e pessoas, enfim, o desapego devia ser mais fácil. tem pra quem seja. não pra mim.

eu decidi que nessa mudança eu vou me desfazer de algumas coisas, daquelas que eu não uso, que não têm mais utilidade. das roupas que não me cabem, de objetos inúteis, e espero que isso seja válido também pra emoções.
tou usando essa mudança como meio de reinvenção, de mudança no sentido literal da palavra. mudança de vida.

e, confesso, eu tou ansioso que não me caibo. louco pra entrar na casa nova, e pintar logo uma parede azul.

# 232

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eu sempre achei esse papo de "o problema não é você, sou eu" uma das maiores desculpas genéricas pra acabar um relacionamento. é simples e não exige maiores justificativas, ou seja, uma mera balela.
até então.
agora, eu já vejo isso com outros olhos. realmente pode existir essa situação de o problema ser nosso sim, e que, por mais que a outra pessoa seja ótima, bacana, legal, enfim, que a outra pessoa seja o nosso número, a coisa não desenvolve dentro da gente. e não tem nada de errado com a outra parte. o problema é nosso, e só nosso.
eu me vejo nessa situação. 
faz tempo que eu terminei meu último relacionamento mais consistente, que nem nome de namoro teve, mas ainda assim durou um pouco mais que os casinhos que as pessoas preferem ter hoje em dia. 
e não sei se por medo, preguiça, ou sei lá o que, eu não me deixei construir nada de concreto nos últimos tempos, pelo contrário, era quase que um processo de auto sabotagem.
até inventar uma paixão súbita, que eu só descobri que havia inventado depois de amargar por uns meses, e depois de umas sessões de análise, afinal, era ridicularmente visível que não haveria fruto nenhum daquilo, mas que era uma forma de eu ficar afastado de qualquer relacionamento sentimental possível, eu inventei pra poder me manter só. sim, eu tou nessa fase de ficar só comigo mesmo.
e isso só ficou mais claro pra mim nas últimas semanas.
e o que acontece é que essa descoberta me foi num momento desses em que tenho que explicar pra alguém que o problema é comigo. mas isso soa tão clichê, que é até vergonhoso de se querer dizer, mas não passa da mais pura verdade.
eu tou nossa fase de me reconhecer, me melhorar, de me curtir. uma fase de mudanças em todos os sentidos, mudança de casa, mudança de meta de vida, de trabalho, de lazer, e até mudança de alguns amigos, enfim, é um caos, uma revolução total, e que eu tenho que ficar só comigo.
e isso nem é covardia, mas é auto proteção, e proteção dos outros. 
e é isso o que eu tenho passado.
e eu nem chamaria isso tudo de problema realmente, mas sim de um empecilho, um obstáculo. 
o que eu tou chamando de problema também eu posso chamar de autopaixão, eu tou apaixonado por mim, e, nesse momento, eu não espaço pra dividir isso com ninguém. 
e não sou do tipo que engana aos outros, e nem quero ser o covarde que deixa em stand by, ou deixa alguém esperando. 
agora eu quero viver isso comigo, sem peso, sem dor, e sem mágoa.
por hora, tou de altas, porque tou ocupado demais comigo mesmo. 

quarta-feira, 21 de julho de 2010

# 231

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"(...) Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir (...)"

Soul Parsifal.
(Marisa Monte/ Renato Russo)

essa é uma das músicas mais fortes que conheço.
ao mesmo tempo que fala de coisas leves, flores, folhas, cheiros bons... fala de redenção, de solidão e de tristeza.

quando a escuto, ou mesmo canto baixinho, sinto uma explosão dentro de mim, como se tudo que eu sinto, de bom e de ruim, se remexesse dentro do meu estômago.

e essa reviração toda aqui dentro me faz ter uma sensação de vida, de saber que eu tou aqui no mundo, que nem todo mundo, e que eu vivo, e sinto, e respiro.


e a música ainda diz uma coisa muito certa, e que a gente tem que repetir pra sempre: "ninguém vai me dizer o que sentir". ninguém pode fazer isso por ninguém, mesmo quando a gente queria que isso fosse possível, mesmo quando a gente pensa que se tivesse um super poder, esse seria o de fazer os outros sentirem exatamente o que a gente quisesse ou sentisse.


"ninguém vai me dizer o que sentir..." e ninguém deve fazer isso. nem o medo, nem a euforia, nem mesmo o futuro.



terça-feira, 6 de julho de 2010

# 230

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e o Pedro Morais colocou tanta força, tanta dor, tanto significado na sua interpretação dessa música, que foi impossível que eu não me emocionasse.
sim, porque ela fala de como a via continua pra um e não pra outro após a finalização de uma relação.
e a minha emoção me veio justamente porque me identifico.
se pra um, a vida segue em frente, sem lembranças, ou até com a indiferença em relação àquela história que passou, pro outro ela dói.
eu me identifico com o outro.
não que eu seja daqueles que querem reviver, remendar amores passados. eles passaram. mas porque cada pessoa que passou pela minha vida teve a sua importância, e sempre terá, independente se foi ruim ou boa, se foi romance de anos ou de meses...
já disse aqui antes e repito: eu sou um ser de detalhes. eu me apaixono é pela singularidade, pelas pequenas coisas. e isso não passa.
aquilo que um amor tinha de especial, era só dele.
os outros tiveram as suas coisas especiais. cada um dos amores teve.
daí que não é só dizer que "passou". não passou. é desrespeitoso pensar assim. é renegar a história, os momentos.
e isso não é vontade de reviver, é só respeito. porque cada pessoa que passou serviu pra me tornar no que sou hoje. e isso não passa.
e eu quero mais gente pra esquecer, ou, quem sabe, que não precise que seja esquecida.. eu quero ter mais lembranças. me lembrar daquilo que ainda não aconteceu.
se me emociono, é porque eu acredito que haja encanto no mundo.
e isso não passa.

|| Pedro Morais e Mariana Nunes: Tristesse http://www.youtube.com/watch?v=GMS9mkReYV8
(Cobra Coral)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

# 229

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e o que o outro não entendia era como ele estava assim, tão encantado com ele.
dizia que ele mesmo era uma bagunça, e seria, no mínimo, loucura, se alguém quisesse compartilhar dessa bagunça toda.
só que, o que ele não enxergava, era que o outro gostava mesmo era da bagunça, do não certinho, do não previsível. que aquilo sim era combustível pra sua vida, pra sua motivação. ele, que em si próprio, via as suas próprias coisas bem bagunçadas e desordenadas.
e a bagunça que lhe fascinava, porque o que é linear torna-se enfadonho com o tempo. daí que ele preferia a imprevisibilidade que as coisas mais desarrumadas lhe traziam. não haveria rotina, nem muito cansaço, haveriam desafios e exercícios de tolerância, e risadas, ah, como haveriam risadas...
o que importava ali era o encanto. mesmo que o encanto viesse justamente da forma desordenada que as coisas lhe apareciam.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

# 228

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e ele nunca precisou de muita coisa pra ter encanto por nada.
é que é do tipo que fica de boca aberta com as particularidades, com os detalhes.
costumava dizer que uma das melhores frases de música que já ouvira é "na simplicidade eu vejo as coisas mais incríveis". e foi do tipo que quando ouviu essa frase pela primeira vez lhe faltou o ar nos pulmões. jamais se identificara tanto com uma letra de música, ou pelo menos fazia tempo que nenhuma canção lhe arrebatava assim.
e continuou sendo o secreto admirador das coisas simples.
porque, pra ele, tudo era singular, feito de particularidades, detalhes únicos e insubstituíveis. e assim via as pessoas, e por isso se encantava tanto, o tempo todo, por tanta gente.
e quando tinha que deixar alguém de lado, seja por ter sido um romance que não funcionava mais, ou fosse uma paixão platônica que não encontrava saída pra realidade, ele se entristecia.
porque deixar isso de lado significava deixar de lado também aquelas coisas únicas que ele havia enxergado, aqueles detalhes únicos que não existiriam em outra pessoa.
mas o mundo não acabava. ele continuava admirando as coisas simples. 
e não precisava de muito pra se encantar.
era só enxergar além do que todo mundo enxergava. era só sair do geral pro particular.
e ele continuaria a ver as coisas mais incríveis.

# 227

|| palavras antigas. 13 de agosto de 2005.||


:: das complicações


eu nunca gostei de letras maiúsculas e nem de pontos finais.
e isso de uma maneira geral, e não a limitada à órbita gramatical.
sei lá, a letra maiúscula dá uma aparência de grito às palavras, até a própria palavra "maiúscula" é meio escandalosa... e eu prefiro tanto o sussurro, o falar baixinho...

e o ponto final dá a sensação de término, fim mesmo... e eu acredito que nada é imutável, que nada "é", que tudo "está", e isso não impede que as coisas voltem a um estado anterior ao atual, ou que procurem outro estado diferente... eu acredito em mudanças.. eu prefiro as reticências...

é, é mesmo complicado... mas deixa estar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

# 226

|| palavras antigas. 09 de outubro de 2006. ||




::das coisas que eu não esqueço


em conversa com um amigo antigo nesse sábado ele me dizia que eu era uma pessoa que não esquecia.
e de fato, no fim das contas todos os meus amores intensos permanecem dentro de mim amores ainda, modificados, adormecidos, desacostumados.

guardo sentimentos bons por todas as pessoas que passaram por minha vida e me fizeram ter momentos de extrema alegria. não que seja porta aberta pra que um dia volte, mas pela beleza de ter vivido.

por um lado é bom não esquecer. por outro é ruim.
mas é minha natureza fazer permancer o amor, e no fim das contas, acho que amor não se esquece mesmo não.
só se guarda escondido pra não aflorar de novo, mas ele continua vivo.






|| originalmente publicado por mim no "eletricidade".||

terça-feira, 15 de junho de 2010

# 225

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e ao mesmo tempo em que ele notava as mudanças em si, decorrentes do amadurecimento meio impulsionado pela análise, ele lidava com uma nova de suas emoções.
não era daquelas paixões antigas, nem da forma antiga.
ele ainda estava aprendendo a lidar com seu novo jeito, e isso o desconcertava por demais, porque não sabia definir direitinho o que era aquilo que lhe batia.
não era mais como antes, que nomeava como paixão qualquer coisa que lhe batesse o peito.
dessa vez é mais gostoso. um encantamento diferente, talvez nascido da semelhança gigantesca com aquele outro. não nomeava de paixão. nomeava encanto.
e o encanto é doce. e é mágico, e não sabia delimitar o início e o desenvolvimento daquilo em si.
sabe dizer momentos de certeza, de que sabia que não era mais coisa simples, carinhosidades, e doçurices inconscientes.
e por essa vez, já que era outro, teve força pra dizer daquilo, pra revelar o que sentia pra quem era sentido.
e foi reconfortante, mesmo ante a resposta de surpresa e incerteza.
fato é que a leveza lhe bateu à porta com a revelação, e com maturidade, soube conversar sobre o assunto abertamente.
ele era um poço de sentimentos, como outrora sempre fora, mas agora os trata com paciência e calma. sem corridas, sem fugas, sem medo.
gostar nunca é ruim. mesmo que de parte única.
em seu caso, ainda não há partes.
ainda.

terça-feira, 1 de junho de 2010

# 224

:: "i keep dancing on my own"



ele olha pros lados e vê aquele monte de gente se abraçando.
casais por toda a parte, principalmente depois das 19 horas.
e olha pra si, sozinho. mas pior que sozinho, vazio.
dia desses, estava parado esperando o sinal de trânsito abrir, e olha pro lado, um moço de branco, também a espera do sinal, sozinho, mas sorrindo de tanta felicidade.
aquilo lhe causou uma inveja grande. um sentimento que até o feriu, porque estava com inveja daquele moço, que podia estar rindo por qualquer motivo, mas que, pra ele, era porque tinha acabado de ouvir uma palavra de amor, ou estava lembrando de que era amado, enfim, ele tava sorrindo de paixão.

o sinal se abriu, e ele saiu andando ainda mais despedaçado, por conta da inveja.

e nem é a época do ano, mas ele se sente assim a muito tempo. não é falta de carinho, porque isso, e sexo, é fácil de se conseguir, mas é falta daquela sensação de amor, de paixão, de frio na barriga, de borboletas no estômago.

e nesses dias a música aí de cima não tem saído do repeat de seus rádios.
e ele anda pelas ruas a cantando, e gritando internamente às vezes.
ele continua dançando ali sozinho, por si mesmo, e vendo todo o resto do mundo amar.

http://www.youtube.com/watch?v=8jBsiXLqNBY

# 223

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e esse negócio de reassistir Ally McBeal, um seriado do qual eu gosto muito, me relembrou de uma coisa muito legal.

todo mundo deveria ter uma theme song, aquela canção tema, que serve pra animar a gente naqueles momentos de tristeza, ou encorajar naqueles momentos de desespero, medo e timidez.

daí eu lembro que a minha música é, e isso já faz mais de uns 12 anos, a "no rain" do blind mellon.
é uma música da qual sempre gostei, e que sempre que ouço, sobe um arrepio frio na espinha, uma sensação de felicidade, e é quase aquelas borboletas no estômago de quando a gente se apaixona.
só sei que, instantaneamente se forma um sorriso na minha boca, e eu começo a balançar os pés, bem escondido, assim que eu a ouço.

melhora o meu dia, mesmo aqueles em que o céu tá mais pra cinza que pro azul.

acho que todo mundo devia ter uma canção tema da vida.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

# 222

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"pra que eu me divirta, às vezes basta um sorriso, às vezes uma palavra é tudo o que eu preciso"

e é que ele estava à toa pela vida, cheio de questionamentos, cheio de sugestionamentos, mas sem qualquer rumo certo.
a moça que analisava suas atitudes toda semana, havia lhe dito: "desacelere! o mundo não termina amanhã! por quê tem que ser tudo nessa intensidade toda?"
e depois dessas palavras, que foram como grampos pregados num papel branco, ele pensou em diminuir sua velocidade, que sim, sempre fora assim, rápida demais, elétrica demais. resolveu se focar.

e naquela noite, mesmo passando frio, não queria entrar pro lugar das danças, porque ele estava ali se divertindo, com casos engraçados, mas entredido demais com aquele sorriso sem jeito que ele enxergava, uma coisa entre o tímido e o desajeitado, mas ainda assim, tão forte e sincera, que ele só não conseguia sair de lá.
e pronto! estava lá, focado, desacelerado, sem vontade de sair de perto, porque o tempo tava frio, mas aquela alegria do momento o aquecia.