sexta-feira, 30 de novembro de 2007

# 83

::
 
 
"... mas era ainda jovem demais pra saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas ..."
 
[G. G. Marquez]

# 82

:: agridoce


e o que é o amargo de uma tristeza, quando colocado frente à frente com o sorriso mais bonito?
e quede o sorriso mais bonito? ah, esse tá ali em cada espelho, pode ir tirar a prova, eu garanto.

e tem uns que nem precisam mostrar os dentes... aquela meia lua formada com a boca já basta, mas ó: tem que ser aquela que faz os olhos se fecharem.

e o importante da vida é saber cuidar do que se tem. Com risos.
e deixa o amargo virar doce.. ou se não der, no mínimo, agridoce..

=)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

# 81

:: medo de quê?


não não.

o medo é freio. e a vida tem que correr em descida, morro sem fim, e com umas pedras soltas pelo caminho que é pra dar uma agitada de vez em quando.

quem tem medo, não consegue nem chegar na beirada do morro.
quanto menos, descer a ladeira correndo. e de olho fechado.

:)

domingo, 25 de novembro de 2007

# 80

:: da moça de vermelho


e lá estava ela, com aqueles cabelos grandes que tomam conta do mundo.
entrava no palco descalça, e com cara de tímida. uma timidez que até dava pra entender porque ela tinha mesmo o peso de alguém que escreve coisas lindas, e as canta de forma linda.

aí a moça de vermelho começa a cantar e o moço de cinza, sentado sozinho numa das filas do teatro, entrava em seu mundo, que já julgava conhecer, e se hipnotiza ao perceber que não sabia de nada.

a moça de vermelho o encantava, o feria, o ameaçava, o acafunézava, o beijava, o acarinhava e o estapeava, sem dó, e sem perceber que o fazia.

e o moço de cinza, em meio a risos e lágrimas e choques e balanços de pernas e mãos, como se tocasse um pandeiro no ar, se perdia nas palavras cantadas, e eram como se ela as cantasse só pra ele.

é.. o moço de cinza por vezes se viu de vermelho, confundido com aquela que cantava.

e o show terminou, e a sensação perdurou.

e o moço agradece desde então à moça de vermelho por tê-lo dado esses momentos de humanidade.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

# 79

:: soul parsifal


nesse mesmo dia do ano passado, em meio a uma fase turbulenta da minha vida, pegava o radinho, o cd com essa música, me sentava num tapete verde no meio da sala e colocava pra tocar.

de certa forma eu sabia que ela me dizia que eu podia ter momentos melhores.

eis me aqui.


"Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar

Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar

Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou

Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar

Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir

Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim"

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domingo, 11 de novembro de 2007

# 77

::

e na primeira manhã ele deu uma cambalhota e enxergou o mundo de cabeça pra baixo.
e naquele momento de giro olhou o que deixou pra trás e algumas coisas lhe doeram.
outras lhe aliviaram. e ainda, algumas lhe criaram vontade de dar a volta no tempo.

e aquele giro demorou pra ele muito mais praqueles que observavam aquela cambalhota repentina, o mundo gira gira gira.

e pra ele, tudo de cabeça pra baixo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

# 76

:: meia idade

"
Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
O tango argentino me vai bem melhor que o blues
"


é.. tenho só mais 10 dias pra cantar essa música na época certa.
meus 25 anos estão passando.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

# 75

:: ideias mirabolantes na ardósia fria num dia de calor


e o mundo girava enquanto ele se deitava no chão de mármore e fechava os olhos.
e na sua cabeça passavam tantas idéias que se fosse as contar ao mundo, não ia ter tempo o suficiente pra isso naquele instante.
daí só forçava os olhos e vez ou outra riscava um sorriso na boca.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

# 74

:: pra tudo, alguma coisa


pra dor de braço depois da academia: dorflex
pra dor no dente: dipirona
pro sono passar: red bull
pra ter gás na vida: fanta mundo
pra andar por aí: bamba azul
pra ir pro trabalho: camisa social verde
pra não dormir no ônibus: alvorada FM
pra desestressar da vida: terças-feiras
pra ver o mar: viagem
pra levar as coisas: mochila
pra não esquecer os compromissos: agenda
pra lembrar que o mundo é bão: e-mails
pra jogar conversa fora: celular
pra distrair o calor: sorvete de côco com crocante
pra escrever bobagens: blog
pra viajar na maionese: ululâncias

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

# 73

:: vento não tem bula


e lá estava o menino com aquela cara que vez por outra fazia.
isso porque de vem quando aparecia alguém pra lhe explicar claramente o que tinha dentro dele, detalhando seus sentimentos, seus pensamentos e até mesmo suas vontades, como se aquela outra pessoa soubesse exatamente do que falava.

e aí ele fazia essa cara, um misto de preguiça, ira e até mesmo pena.
é.. pena, porque quem em são juízo se atreveria a virar pra outra pessoa e achar que sabe o que passa dentro dela? ou é alguém muito inocente ou alguém muito presunçoso.

enfim, lá estava ele com aquela cara outra vez. e um tanto de susto no ar, porque pensava que isso não aconteceria mais.. será que as pessoas se esquecem do quanto ele não era típico? do quanto as coisas em sua vida fugiam do normal e esperado pra qualquer um? ou apenas faziam que não sabiam desses detalhes e tentavam, ainda assim, tecer-lhe uma bula, explicando exatamente do que ele era composto?

é uma pergunta difícil de se achar uma resposta, porque o menino era vento. e vento não pára quieto por nada e nem por ninguém. o vento corre, sopra por aí e nunca, nunca é o mesmo em momento nenhum.

então.. não perca tempo, não queira ler o vento, não queria um manual de instruções.
o vento se inventa e reiventa o tempo todo, e é aquilo que se vê, e é aquilo que não se vê, e é, e não é.

e o menino continua a fazer aquela cara.
aquela.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

domingo, 21 de outubro de 2007

# 71

::


"todo mundo tem um pouco de poeira na vida"

frase que li no jornal na sexta e que tem tanto a ver comigo.
meu deus.. como é isso né.. eu nunca jogo nada fora. fato. é só vc entrar no meu quarto pra ver. é uma tralheira de dá dó.
coisas que eu sempre acho que um dia podem me ser úteis, por mais mofadas e amarelas que estejam.

aí eu vejo que minhas poeiras existem não só nas bugigangas danadas, mas no coração tb.
e nem sei se sopro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

# 70

:: Cê tenta?



70 ver um motivo pra que eu possa não rir.
é porque quando 60 naquele canto onde bate raiozinho de sol de manhã, fica com cara de bobo.

70 não me dizer o que eu devo fazer.
e aí eu vejo se posso arranjar 1/2 de a gente se divertir sem ter que pensar muito. usando o acaso de desculpa pra enxergar 100 culpa de nada.

70 não rir quando eu fizer cara de bravo.
porque eu ainda tento me fazer de sério de vez em quando. de barba ou 100 barba.
que é pra me dar a tal da solenidade.

e por fim 70 não tentar entender tudo o que eu digo ou faço.
porque às vezes um pingo d'água é só um pingo d'água.


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# 69

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então tá né.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

# 68

:: do quê?


me faltam as palavras pra falar daquele momento.
sei lá.. sei não mesmo.
como que argumento o que não entendo? como que descrevo o que os olhos não conseguiram decifrar?
tentar fazer isso é no mínimo prepotência, e não ando lá nesses dias.
só sei todas as frases que eu ousasse dizer a respeito daquilo seriam vagas e incompletas.

é.. é melhor não dizer.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

# 67

::: das complicações e dos botões



"- esse mundo é um lugar complicado." pensa ela, enquanto costura o botão azul escuro na sua blusa celeste.

ela não entende o porquê de as pessoas sentirem medo. medo serve pra quê? qual a utilidade prática disso? e por que a vida dói tanto quando a gente teme o que está por vir? e mais um tanto de questões desse tipo.

antes de pensar em medo, ela pensava em cores. que aquele botão celeste na blusa celeste era muito sem graça. tornava tudo uma coisa só.. muito homogenea.. e isso é exatamente o contrário da vida.. cheia das misturas, das coisas claras e escuras, tudo assim, misturado, e não tem nada divididinho certinho que nem no yin e yang.. que nada.. tudo é tudo ao mesmo tempo, onde tem claro, tem escuro.. e por isso preferiu trocar o botão celeste, por um azul escuro. que é pra mostrar que ali dentro daquela beleza de céu, ainda tem um tiquinho de escuridão. o que também é bom.

e enquanto agulha vai, agulha vem, e o botão vai sendo embrulhado pela linha branca, ela torna a pensar que o mundo é cheio das complicações. e acaba por se esquecer de qualquer pensamento complicado no momento em que a agulha pica seu polegar.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

# 66

eu sou um ser que se apaixona por tudo.

momentos, canções, árvores, pipoca doce, tênis azul, livro de capa de melancia.

enfim, acho que sou daqueles de paixão, que não vive se não tiver nem um cadinho de sentimento pra remoer ou pra deliciar.

é por isso que não consigo ser vazio, por mais que eu tente.
sou um ser que deixa transbordar a paixão que não cabe no meu peito.

é.. doa-se.

# 65

"(...) Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
e eu vou cantar uma canção pra mim (...)"


e é assim, de canção em canção, de sentimento em sentimento, que a vida segue seu rumo.

a gente se cansa de tudo, dos outros de nós mesmos.
mas numa hora ou noutra, decide que chega de cansaço, chega de temor.
é hora de plantar nossos jardins com as plantas mais cheirosas e viver com leveza e serenidade.

sendo do jeito que a gente quer, pq ninguém entende mais de nós que nós mesmos.





terça-feira, 25 de setembro de 2007

# 64

:: das dores azuis


E ela sabia que gostava da música quando lhe doía a barriga.
Mas não era dor de fazer sofrer não, era uma dor gostosa, porque quem a provocava eram aquelas borboletas azuis (sempre azuis) que moram na barriga da gente e de vez em quando insistem em fazer revoadas.
E desse jeito ela ia. Quando se ouvia uma música e um “ai” baixinho seguido de um sorriso vindo dela, pode saber bem, ela estava adorando o que ouvia.
E vez em quando separava uma bela seqüência de músicas doíveis, só pra sentir suas borboletas a voar dentro de sua barriga. E aí era um ai ai ai ai danado e sorridente, e até a outra mocinha que já aprendia a dançar e a reclamar de ser acordada aprendia que tem dores que são boas.
Desse jeito levava a vida. Cheia de “ais” e asas azuis.