quinta-feira, 11 de outubro de 2007
# 68
me faltam as palavras pra falar daquele momento.
sei lá.. sei não mesmo.
como que argumento o que não entendo? como que descrevo o que os olhos não conseguiram decifrar?
tentar fazer isso é no mínimo prepotência, e não ando lá nesses dias.
só sei todas as frases que eu ousasse dizer a respeito daquilo seriam vagas e incompletas.
é.. é melhor não dizer.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
# 67
"- esse mundo é um lugar complicado." pensa ela, enquanto costura o botão azul escuro na sua blusa celeste.
ela não entende o porquê de as pessoas sentirem medo. medo serve pra quê? qual a utilidade prática disso? e por que a vida dói tanto quando a gente teme o que está por vir? e mais um tanto de questões desse tipo.
antes de pensar em medo, ela pensava em cores. que aquele botão celeste na blusa celeste era muito sem graça. tornava tudo uma coisa só.. muito homogenea.. e isso é exatamente o contrário da vida.. cheia das misturas, das coisas claras e escuras, tudo assim, misturado, e não tem nada divididinho certinho que nem no yin e yang.. que nada.. tudo é tudo ao mesmo tempo, onde tem claro, tem escuro.. e por isso preferiu trocar o botão celeste, por um azul escuro. que é pra mostrar que ali dentro daquela beleza de céu, ainda tem um tiquinho de escuridão. o que também é bom.
e enquanto agulha vai, agulha vem, e o botão vai sendo embrulhado pela linha branca, ela torna a pensar que o mundo é cheio das complicações. e acaba por se esquecer de qualquer pensamento complicado no momento em que a agulha pica seu polegar.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
# 66
momentos, canções, árvores, pipoca doce, tênis azul, livro de capa de melancia.
enfim, acho que sou daqueles de paixão, que não vive se não tiver nem um cadinho de sentimento pra remoer ou pra deliciar.
é por isso que não consigo ser vazio, por mais que eu tente.
sou um ser que deixa transbordar a paixão que não cabe no meu peito.
é.. doa-se.
# 65
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
e eu vou cantar uma canção pra mim (...)"
e é assim, de canção em canção, de sentimento em sentimento, que a vida segue seu rumo.
a gente se cansa de tudo, dos outros de nós mesmos.
mas numa hora ou noutra, decide que chega de cansaço, chega de temor.
é hora de plantar nossos jardins com as plantas mais cheirosas e viver com leveza e serenidade.
sendo do jeito que a gente quer, pq ninguém entende mais de nós que nós mesmos.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
# 64
E ela sabia que gostava da música quando lhe doía a barriga.
Mas não era dor de fazer sofrer não, era uma dor gostosa, porque quem a provocava eram aquelas borboletas azuis (sempre azuis) que moram na barriga da gente e de vez em quando insistem em fazer revoadas.
E desse jeito ela ia. Quando se ouvia uma música e um “ai” baixinho seguido de um sorriso vindo dela, pode saber bem, ela estava adorando o que ouvia.
E vez em quando separava uma bela seqüência de músicas doíveis, só pra sentir suas borboletas a voar dentro de sua barriga. E aí era um ai ai ai ai danado e sorridente, e até a outra mocinha que já aprendia a dançar e a reclamar de ser acordada aprendia que tem dores que são boas.
Desse jeito levava a vida. Cheia de “ais” e asas azuis.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
# 63
dois telefones no bolso e muita paciencia pro mundo.
e dessa forma ele vai andando pela rua, com aquela roupa que ainda lhe cai estranha.
com a barba por fazer porque cismou agora que ficou com um ar legal a deixando assim, e o cabelo no meio termo entre o penteado e o arrumado com a mão.
pasta na mão, fone no ouvido, descendo a avenida amazonas a pé, com aqueles sapatos já meio gastos e pedindo um descanso.
de repente uma música que lhe remonta às sensações boas de 2003. e num repente, começa a cantar alto, acompanhando a melodia, mesmo sob os olhares da multidão que por ele passava..
"you and me, were meant to be, walking free in harmony. one fine day we'll fly awat. don't you know that rome wasn't built in a day. hey hey hey "
e uma sensação de explosão invadiu seu peito, de tal forma que teve que parar por um instante pra respirar fundo porque tava tão bom que até o ar lhe faltara.
não se lembrava quanto tempo fazia que não ouvia aquela música, mas o trem tava tão bom, que ele chegava a sentir choques corpo afora. e seguiu descendo a avenida, com a sensação mais gostosa dos últimos tempos.
mesmo de terno, gravata e todo aquele visual sério, a voz do menino era de felicidade, e não se importou de cantar o mais alto que pôde, mesmo sob o olhar da multidão.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
# 62
aí eu olho pro fundo do ônibus, praquela parede (se é que posso chamar disso) onde ficam coisas artísticas... e lá eu leio: "doa-se a quem doer" e fiquei ali, besta, parado olhando até a freada brusca do motorista que quase me joga no colo da dona que estava sentada lá.
e é assim que acontece mesmo não é... a gente se doa pra outras pessoas o tempo todo. seja num namoro, seja numa amizade, seja em casa... a gente se doa, e às vezes dói e outras, a gente faz doer nos outros... acontece... e eu acho bom.
pode parecer insano, mas eu até gosto de me ferir, nesse sentido, de vez em quando.
explico: a minha tendência é me sentir alheio ao mundo... esquecer que eu vivo em meio a um monte de gente, e que estou sujeito a tudo que qualquer pessoa esteja.
e quando eu me machuco, em vez de chorar, eu rio... a dor me faz lembrar da minha situação de ser humano, passível de erros, eu sinto o ar nos pulmões e respiro o mais fundo que posso que é pra ter essa sensação por mais tempo... eu me emociono e simplesmente vivo.
a dor nesse caso é um chamamento, é uma coisa linda, porque me livra do fardo pesado de exigir de mim atitudes que eu não sou capaz de ter.
então eu gosto que doa em mim de vez em quando, e gosto de que se doem a mim também... eu me dôo ao mundo o tempo todo. aceito doações. provoco algumas dores... mas quem não o faz?
o título é da frase do ônibus.
# 61
"
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas prá fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba não
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
"
[samba da benção]
domingo, 26 de agosto de 2007
# 60
e o tempo passa... passa... passa...
os anos se tropeçam uns nos outros, a gente cresce de tamanho, a barba se fecha, e até uns fios brancos aparecem no cabelo...
as roupas velhas já não servem mais, chiclete de bola cansa mais que antigamente, mas a despeito disso tudo, ainda tenho um coração de 17 anos.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
# 59
E o azul toma conta de mim nos últimos tempos.
Veja só.. ontem mesmo fui pro trabalho sem perceber de camisa azul e gravata azul também.
Tá bem, e logo mais tarde escuto no rádio que a cor pros rapazes no dia de ontem era azul.
E me ri.
Com minha gravata azul de quadradinhos.
# 58
a gente sempre leva a vida com o objetivo de alcançar as primeiras fileiras, e quando conseguimos chegar lá acabamos percebendo que de tão, mas tão perto que ficou, não enxergamos mais nada.
então é por conta disso que eu quero um lugar bem ali, na 5 ª fileira, na cadeira sete à esquerda e 8 à direita, que é pra eu poder observar bem o que acontece ali na frente, enxergando a vida passar nítida, visível e me deixando tomar partido no que ela me aprontar.
nem pensar que eu quero a primeira das filas... ficar de pescoço pra cima muito tempo dá torcicolo e lá no fundo ficar na ponta dos pés dá caimbra..
ai ai...
palmas.
sábado, 11 de agosto de 2007
# 57
do alto do morro que tem que descer e com aqueles óculos de lentes azuis que tanto intrigava as pessoas... ele nunca os tirava. nunca mesmo. dizem que só se via a cor de seus olhos verdadeiros, que as pessoas não sabiam se eram castanhos ou pretos, naquele segundo antes de dormir.
quando perguntado o porquê de nunca tirar seus óculos, ele simplesmente sorria um sorriso tão fino, tão pequeno e ao mesmo tempo cheio de significado com o canto esquerdo da boca que não precisava dizer mais nada. e assim vivia, serenamente.
e de volta ao morro, lá estava ele, o menino dos óculos azuis, com sua mochila verde pendurada no seu braço direito, olhando pra baixo e respirando fundo, como num preparo pra descer aquela rua quase em pé.
no meio do morro uma menina lá pros seus 4 anos, pede pra ver os óculos dele. Por um segundo ele hesita, mas a criança fora tão convincente em seu pedido, que ele os tirou e colocou nos olhos dela. e quando abriu os seus e viu o cinza que cobria toda aquela cidade e as pessoas com seus rostos cansados e amargurados, uma grande nuvem de tristeza o tomou.
a menininha, notou, e num instante o puxou pela perna e o devolveu seus óculos com um sorriso que explicava tudo.
nesse momento, ele os colocou e desceu a rua cantando baixinho: “se o mundo é mesmo parecido com o que vejo prefiro acreditar no mundo do meu jeito...”
e lá se foi o moço dos óculos azuis. andando pelo mundo.
# 56
então depois de um tempo eu volto nesse canto e com o que me deparo? com um desafio da Milla Loureiro, essa moça que sabe me matar de saudades... pois bem, eu aceito. O desafio era pra indicar as 7 maravilhas da minha vida, então seguem:
1 - minha Vó Doca, por tudo o que fez e faz por mim;
2 - todos os meus amigos verdadeiros;
3 - a música, por sua capacidade de me acalmar;
4 - o cinema, por me deixar viajar na vida dos outros, mesmo que nao existam;
5 - os sonhos, por me manterem acordado e com vontade de realiza-los;
6 - meus inimigos, que me mostraram que tipo de pessoa não quero ser;
7 - os lugares que não conheci ainda, por atiçarem minha curiosidade todos os dias.
pronto. era pra eu indicar 7 pessoas, mas deixo livre pra quem quiser continuar.
=]
# 55
e num pulo ele lembra que tem alguma coisa sendo deixada de lado na vida dele.
se levanta do sofa laranja onde cochilava, e num pulo corre e vem escrever alguma coisa que possa fazer sentido, ou nao.
tempos corridos os ultimos, ainda terminando de fazer as pequenas mudanças. Faltam 3 portas para serem colocadas no guarda-roupas e nao se lembra mais o que é uma cama, mas isso não o incomoda de forma alguma.
e cá está a tirar a poeira desse blog desse jeito meio corrido. mas novas palavras virão.
terça-feira, 24 de julho de 2007
# 54
e lá vai ele com duas sacolas brancas em cada mão. dentro delas coisas que julga essenciais naquele momento.. e sabe, que seu mundo não cabe em duas sacolas, talvez não caiba nem num mundo inteiro, mas naquele momento, duas sacolas são tudo o que seus braços conseguiam levar.
e segue, caminhando no caminho do seu novo local, onde começa a se reconstruir.
nas sacolas leva cds, livros, roupas e algumas lembranças.
e no peito leva liberdade.
no meio da caminhada pára por um tempo pra poder descansar os braços.
- moço, um guarapã.
- de garrafa ou latinha?
- de garrafa.
sábado, 21 de julho de 2007
# 53
vi tem muito tempo isso nos fotologs da vida e hoje no blog da Thaís e resolvi fazer tb. respondendo as perguntas com trechos de música.
.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
# 52
e ela liga e não é atendida.
e manda mensagem e não é respondida na hora.
e manda mails.
me chama de desnaturado, e diz que não a amo mais.
boba demais, ô gente.
tenho culpa se minha irmã só liga pro número errado?
tenho culpa se minha irmã manda mensagem quando eu tou ocupado na hora?
tenho culpa se minha irmã não vê que eu sou ela e ela sou eu, e que dizer que não a amo mais quer dizer que eu não amo a mim mesmo??
tsc tsc... e o que mais tenho feito ultimamente é me amar. logo, a amo também.
já cansei de repetir pra ela: "tenho o que ficou e tenho sorte até demais" porque fiquei com o que de melhor havia.
e sabe, que a cada dia, a cada acontecimento eu acabo por acreditar mais nisso?
sabe quando a gente vai à feira e vê aquele tanto de maçãs bonitas e acaba levando um monte delas só porque elas pareciam estar boas, e com isso a gente enche um cesto inteiro? Pois é. Há muito tempo atrás enchi meu cesto de maçãs que pareciam boas, todas tinham seu brilho particular, mas com o tempo, algumas maçãs foram deixando de brilhar, de fazerem vista, de serem palatáveis e apodreceram. umas apodreceram por si mesmas, outras apodreceram porque estiveram em contato com as que já estavam podres, e uma a uma as maçãs foram se mostrando feias, indigestas, e assim, o cesto foi ficando vazio daquelas que estavam podres.
Porém, nem todas perderam seu brilho, nem todas apodreceram, porque eram mais fortes, tinham seu brilho próprio, independente das outras.
e hoje, olho pro cesto e vejo que um monte daquelas maçãs podres se foram (algumas tarde) mas ainda permanecem as mais fortes daquelas, as verdadeiras e que tem brilho próprio. Você é uma delas, a mais brilhante, e acho que não perde seu brilho mas é nunca!
Claro que o cesto torna-se a encher de maçãs novas, melhores que as antigas, mas o seu espaço ninguém ocupa. é seu e pronto.
No fim das contas, eu fiquei com as melhores das maçãs e crescemos juntos.
Por isso eu digo, amo-te sem tamanho.
Então Thaís, lembra disso sempre tá.
ciumentinha da grow.
=]
# 51
e do nada o vento muda a sua direção. e o que era ruína e escuro torna-se iluminado e novo.
e as novas sensações acabam por atacar o sorriso antes cortado, reavivado-o e tornando-o mais forte e brilhante.
as tempestades que antes o perseguiam agora parecem estar mais distantes, quase, quase que não dá pra enxerga-las lá ao longe.
e o cheiro de verde e de chocolate com crocante se faz presente.
os olhos puxados demonstram uma alegria nova e assim, meio correndo pra pegar o metrô, são distribuídos sorrisos por aí.
e assim as coisas seguem.
terça-feira, 10 de julho de 2007
# 50
1. shampoo
2. belle and sebastian
3. lápis de cor
4. ratatouille
5. cimento fresco
6. cd virgem
7. edredon azul
8. suco de melancia
9. fone de ouvido
10. viagem pra roça
11. madrugada
12. thunder chumbinho
13. amelie poulin
14. escova de dentes
15. ponto de exclamação
16. inglês
17. celular
18. almofada
19. dido
20. apagador
21. rosa
22. tosse
24. dança
25. coruja
26. vinho
27. tapete
28. xarope
29. msn
30. all star
31. telhado
32. laranja
33. tatuagem
34. samambaia
35. melão
36. travesseiro amarelo
37. formiga cabeçuda
38. thaís
39. japonês
40. casa verde
41. mar
42. cheiro de árvore
43. salão
44. sonhos
45. sms
46. brilho eterno de uma mente sem lembranças
47. silêncio
48. passarinho
49. liberdade
50. eu
# 49
"pra que eu me divirta às vezes basta um sorriso
às vezes uma palavra é tudo o que eu preciso"
é.. pra uma noite ser boa, às vezes não precisa de mais nada que uma boa conversa e mãos dadas escondidinhas.
thanks for the moments.
=]